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ARGUMENTO |
À mesa do café - onde
nascem e morrem, num só frame, todas as ideias e
projectos na ilha do Faial - um grupo de amigos: “Nunca
acontece nada nesta terra! Eh, pá!, e se a gente
fizesse um Cineclube?”
Contada assim parece coisa pouca e até despropositada,
a história do nascimento do Cineclube da Horta (CCH),
mas não é.
O CCH nasce numa ilha marcada por um certo saudosismo conservador,
avesso à mudança e à ousadia - a que
não é alheio o encerramento do único
cine-teatro existente, durante cerca de 20 anos - e da vontade
de estimular a consciência crítica e a participação
social, divulgando e vulgarizando o cinema alternativo de
qualidade, e envolvendo a comunidade nos processos mágicos
que fazem o Cinema.
Desta vez a conversa não morreu no frio do mármore
da mesa do café, mas alimentou-se da capacidade de
fazer os sonhos acontecerem. Como quando se realiza um filme.
A voz de acção deu-se em finais de 2003 -
com cinema português, pois claro! – e à
chamada respondeu um grupo não muito grande de cinéfilos,
que aos poucos foi engrossando e diversificando a plateia,
dando alma a este projecto e preenchendo o espaço
de cultura para a liberdade e para a capacidade de sonhar
que é a sua casa.
Na esteira dos pioneiros Cineclubes portugueses, cuja história
regista uma luta ousada de resistência ao fascismo
e à censura do Estado Novo, o CCH quer também
assumir um papel de afirmação da liberdade
e de formação cinematográfica, sem
nunca perder de vista que esse caminho se faz sobretudo
de imaginação e ousadia e que só isso
garantirá, mais do que a sua própria sobrevivência,
a contínua evolução do Cinema.
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