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ESTA NOITE (Nuit de Chien)
por GRP Cineclube da Horta 19.08.2009, alterado em 24.08.2009

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Datas de Exibição: 29/09/2009 - 21H30

Sala: Cine Teatro Faialense

RAEC - Rede Alternativa de Exibição Cinematográfica

Realizador: Werner Schroeter

Sinopse: Estação de Santamaria - noite. Ossorio, homem dos seus quarenta anos, sai de um comboio, por entre uma multidão de refugiados e de soldados derreados. É numa cidade sitiada que este herói de uma resistência em fuga tenta reencontrar os seus antigos aliados e aquela que ama. Mas a situação agora é outra, e os amigos de ontem já não têm o mesmo discurso. Enquanto uma milícia desenfreada aterroriza a cidade, cada um já só procura salvar a própria vida.

Actores: Pascal Greggory, Nuno Lopes, Bruno Todeschini

Ano: 2008

Idade: M/12

Duração: 75 minutos

Género: Drama

País de Origem: Portugal, Alemanha, França


Críticas:


(…)


Bordel. A eternidade, é em frente a ela que varre Esta Noite, de Werner Schroeter. Um filme que aprendeu a ver na morte menos uma inimiga que uma fatalidade, um momento do qual não se deve ter medo. Quando Schroeter faz dizer isto, na abertura e fecho do filme, lembramo-nos que ele esteve brutalmente doente. O filme está aí no entanto, de um poderio intacto. Talvez um dos seus melhores, desde o Reino de Nápoles e O Dia dos Idiotas. Numa Córsega não identificável, uma guerra civil, milicianos, um regime (meio negro meio vermelho), um bordel belo como Há Lodo no Cais de Hawks, belo como os de Querelle de Brest de Genet. Rapazes de gato, raparigas de felinas, ópera, aventura, traições sobretudo, muitas traições: um cinema que trai o real, o despe, lhe rende homenagem e depois o amarrota. Tanto melhor. Um cinema que não cedeu no maneirismo único que carrega como um ideal. Ainda melhor.


Schroeter é o Cocteau da nossa época. Aqueles, cegos, que assobiaram Esta Noite não sabem mais nada portanto sobre a ilusão: o cinema de Werner Schroeter é de uma fibra mágica, inventa um mundo, um tempo, não deixa fazer nada que não seja da ordem do artifício e da beleza. A ambiguidade, a infâmia, a beleza e o riso perante a morte são os ingredientes desta noite nas valetas da História.


Perguntem aos actores, todos excelentes, Pascal Greggory, Amira Casar, Elsa Zyberstein, Bruno Todeschini, o grande Sami Frey, para que universo foram projectados, ouçam a sua resposta admirativa: Esta  Noite, por natureza, por vontade dandy, não pertence a esta época – mas uma vergonha para a nossa época seria de não reconhecê-lo pelo que ele é: uma imagem enviada desde uma zona franca, uma zona do imaginário onde tudo é permitido. Phillippe Azoury LIBÉRATION




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