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Datas de Exibição: 22/09/2009 - 21H30
Sala: Cine Teatro Faialense
RAEC - Rede Alternativa de Exibição Cinematográfica
Realizador: Albert Serra
Sinopse: Numa viagem única de rara beleza contemplativa, os três reis magos seguem em busca de Jesus, acabado de nascer.
Numa região desolada, Maria e José, acompanhados de uma ovelha e do filho, detêm-se sobre a sua sorte quando são surpreendidos pela chegada dos reis que imediatamente caem prostrados aos pés do menino e sua mãe.
Actores: Victòria Aragonés, Lluís Carbó, Mark Peranson
Ano: 2008
Idade: M/12
Duração: 75 minutos
Género: Arte/Ensaio
País de Origem: Espanha
Críticas:

“Para quem acha que o cinema ainda se pode reinventar.”João Antunes, Premiere
“Um filme de génio, simples como um sorriso.”Manuel Cintra Ferreira, Expresso
(…) É precisa uma lata imensa para enfrentar um dos temas mais rebatidos da iconografia cristã, afronta de que sabemos o catalão capaz (…) A ideia é forte, a de arrancar um mito de santuários edificados segundo ele para o devolver à terra, à terra inteira. (…)
Tanto que depois da aurora indicando a via aos magos, um raccord tão abrupto nos envia para junto de Maria, José, a sua criança e o seu borrego.
Raccord genial no que a vocação passa agora para nós, que sabemos antes de Maria e José, que os reis magos virão, ao fim de um tempo incerto, fazer as suas oferendas ao recém-nascido. Longos momentos de vida quotidiana onde o sagrado toma um aspecto trivial – Maria pergunta cinco vezes a José se há água no poço, o borrego mija em Maria – antes da entrada, no limite do plano, dos magos pousando o ouro, o incenso e a mirra nos pés da criança, e depois deitando-se ou ajoelhando-se, de cara para a terra. Bela e emocionante, esta cena é prova de que o filme tem, para lá de todas as estratégias cómicas, o sério e a coragem de não recuar perante uma tal imagem.
É também o único momento musical do filme. Enquanto as imagens sobem para Jesus, sobem em cascata as notas de piano da introdução de Canto dos 10 Pássaros, música do folclore catalão celebrando na sua origem as belezas da
natureza, mas de que passa aqui a versão instrumental popularizada pelo violoncelista Pablo Casals. Expatriado sob Franco, este ganhou o hábito de tocar a peça durante cada um dos seus concertos. Em 1971, dois anos antes da sua morte, deu nas Nações Unidas um discurso sobre a grandeza passada da Catalunha, “hoje uma província de Espanha”, mas primeiro país a formar um parlamento democrático e a “defender a paz”: depois tocou de novo o Canto, numa versão que ficou célebre pela sua febrilidade.
A escolha da peça não é anódina. Pelo seu título, primeiro: a vocação não tem forma de palavra mas de um canto de pássaro, um puro chamamento; vocação tanto mais forte que os magos, gordos e cansados, parecem finalmente puxados por uma corda por um recém-nascido. Em seguida, os magos são também eles reis sem coroa, soberanos de pátria alguma: dois homens separados deles mesmos. Há por aí uma relação parental entre o exílio e a fé: ambos reclamam serem rachados do interior, submetidos a um apelo mais ou menos audível, constrangidos de avaliar as suas decisões em função de uma razão exterior incalculável, assim como o fazem os reis magos, tropeçando no socalco de uma duna que eles duvidam poder superar, discutindo em função de um destino que eles não podem conhecer: “se tivermos que ir, iremos.” É aqui que o sentimento religioso se junta à experiência estética: em planos fortes e flutuantes como augúrios, auroras, oráculos. - Antoine Thirion CAHIERS DU CINÉMA
Trailer
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